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  • Dr. Bruno Burjaili

CONSULTA MÉDICA POR VÍDEO (TELECONSULTA) FUNCIONA?


Consulta médica por vídeo funciona. Claro, não é sempre. Na teleconsulta, o médico não faz a maior parte do exame físico, pois só tem o vídeo. Há uma perda da sensação de calor humano. É como se o exame físico tivesse se tornado complementar. Eu confesso que achei que não ia para frente. Mas veio o COVID, eu tinha que continuar a atender meus pacientes, e não queria que eles se infectassem ou infectassem alguém próximo. Então, tive que ceder. Foi difícil, eu acredito naquela essência da arte médica, de se debruçar sobre o paciente e usar tudo que puder para ajudar. Daí eu percebi que, em mais da metade das vezes, dá pra atender às queixas dos pacientes sem o exame. Se tiver necessidade, eu marco uma consulta presencial, sem causar tanta exposição em sala de espera, com proteções de contato e respiratórias, além de higiene da sala. Teve paciente que precisou de procedimento, ou de cirurgia, durante a pandemia, claro, e foram feitos. Acontece que o médico sempre trabalha com uma balança de riscos e benefícios. Se ele vai dar um remédio, ele tem que saber se o risco de efeitos colaterais vale a pena pelo benefício que o remédio vai trazer ao paciente. Ir para uma consulta médica, antigamente, quase não tinha risco; agora, com o corona, tem, você pode se infectar, e tanto você, como alguém próximo, principalmente se for de risco (idosos, obesos, doentes respiratórios, etc.), podem evoluir mal com a doença, que pode ser fatal, ou deixar vários danos (veja a postagem sobre sintomas neuropsiquiátricos no COVID). Às vezes, o médico vai pedir um exame invasivo, como uma biópsia, que pode sangrar. Mesma coisa: se o paciente precisa, ele enfrenta o risco, mas se puder, ele evita o exame. E não se engane, não é mais fácil para o médico a teleconsulta, pelo contrário: ele tem que ser esforçar mais para chegar aonde ele quer, e tem a mesma responsabilidade. Quem se preocupa em evitar infecção do paciente está justamente revelando calor humano. Médico que se dedica, que quer acolher, quase sempre consegue contornar as barreiras. Vamos perder o preconceito, eu tive que perder, para que a vida possa continuar, mas também possa ser protegida.

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